terça-feira, 25 de junho de 2013

Os motivos de nosso manifesto de apoio ao ministro da saúde

Os motivos de nosso manifesto de apoio ao ministro da saúde


No último dia 11, trinta e uma ONGs que lutam pelas hepatites realizaram um manifesto de apoio ao Ministro Alexandre Padilha pela decisão de exonerar o diretor do Departamento DST/AIDS/Hepatites. Recebemos criticas de ONGs de AIDS. Por isso, para que compreendam nossa indignação estamos explicando o porque não podemos defender o Departamento DST/AIDS/Hepatites, o qual deveria ter cuidado das hepatites com o mesmo ênfase que o faz com a AIDS, mas nesses quatro anos nada fez, como mostram os resultados.

Certamente, ao ler os itens abaixo listados (e não são todos) irão compreender o porque da irritação dos infectados com as hepatites. O descaso e as falsas promessas tem um limite. Esse limite chegou. É necessário dar um basta e o governo, de vez por toda dar inicio a uma estratégia própria para enfrentar uma epidemia que atinge até 3 milhões de brasileiros.

Leiam a seguir o porque as hepatites não são prioridades no Brasil

27/06/1999 - Cartazes de sala serão distribuídos a todos os consultórios odontológicos do Sistema Único de Saúde. Informa por Oficio o Dr. Cláudio Duarte da Fonseca Secretário de Políticas de Saúde / MS - Promessa não cumprida.

29/06/2000 - O diagnóstico da hepatite C pode ser realizado, em uma das 49.260 Unidades Ambulatoriais do SUS - Responde por e-mail o Dr. Cláudio Duarte da Fonseca Secretário de Políticas de Saúde / MS - Passados 13 anos até hoje isso não acontece.

27/11/2002 - O Ministério da Saúde lançou ontem campanha sobre a hepatite, doença grave, mas pouco conhecida pela população. "Com a informação, queremos melhorar tanto a prevenção quanto a rapidez no diagnóstico", afirma o coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controle das Hepatites Virais, Antônio Carlos Toledo. Em 10/12/2002 foi divulgado que uma forte chuva alagou o deposito e danificou todo o material da campanha. A campanha foi suspensa. Alagamento em Brasília?

Maio de 2003 - A primeira campanha é colocada nas ruas, com um cartaz divulgando as hepatites e informando (ou melhor, desinformando) que "todas as hepatites (A, B, C, D e E) apresentam sintomas iguais, como ficar amarelo ou urina escura" e continua afirmando que todas elas se transmitem, entre outras formas, pela boca, pelos alimentos ou pela água, colocando todas por igual quanto a suas formas de contaminação. Poucos dias depois, as ONGs alertam o Congresso Nacional e o Ministro da Saúde sendo o cartaz recolhido e incinerado. Foi um desastre total, um desrespeito a população.

12/11/2003 - A promessa da testagem nos CTAs foi feita pelo Dr. Jarbas Barbosa no encontro dos grupos, com inicio piloto em alguns CTAs em fevereiro de 2004 e total implementação até o mês de julho de 2004. Em 20/12/2004 - O Dr. Jarbas Barbosa em entrevista ao programa Espaço Aberto da GLOBO-NEWS declarou que todos os CTAs do Brasil já estavam testando a hepatite C. Somente em 2012 a promessa foi cumprida totalmente.

Maio de 2005 - Foi feita uma campanha na televisão educativa informando a realização dos testes nos CTAs, porém, praticamente nenhum deles tinha recebido os kits.

08/03/2006 - Em audiência o Ministro da Saúde garantiu que os medicamentos para tratamentos das hepatites, em especial o Interferon Peguilado seriam adquiridos de forma centralizada pelo Ministério da Saúde O ministro saiu e a promessa foi junto. Somente após a denuncia no desvio da aplicação dos recursos pelos estados é que a compra foi centralizada.

11/04/2006 - O PNHV apresenta na Câmara de Deputados o "PLANO TRI-ANUAL DO PROGRAMA NACIONAL DE HEPATITES VIRAIS - ANOS 2006 -2007-2008" onde se informa que pretendem tratar 26.000 casos de hepatite C por ano até 2008 e para tal na página 23 é apresentado um quadro com o aumento de tratamentos oferecidos, sendo: 13.000 tratamentos já no ano 2006, 19.500 tratamentos em 2007 e 26.000 tratamentos em 2008. A promessa nem sequer foi tentada e acabou em fracasso, em 2012 somente 12.000 tratamentos foram realizados no SUS. Projetando o mesmo crescimento até 2012, hoje deveriam estar sendo tratados 54.000 pacientes anualmente.

Setembro de 2009 - O Programa Nacional de Hepatites Virais é extinto e as hepatites são integradas no Departamento DST/AIDS sem ter tido nenhuma discussão com as ONGs ou as sociedades médicas.

24/11/2010 - "Moção de Alerta - Hepatites Virais" apresentada por consenso das ONGs presentes no "IX Encontro Nacional de ONG de Hepatites Virais" em repudio ao fim do Programa Nacional de Hepatites e ter colocado as hepatites aos cuidados da AIDS.

A VERDADE: Número de pessoas de todos os genótipos em tratamento para hepatite C (Dados oficiais fornecidos pelo DAF/Componente Especializado da Assistência Farmacêutica - MS)
AnoNúmero de pessoas em tratamento
2009
10.111
2010
11.628
2011
11.505


Comparando com 2004 é possível ver o "extraordinário crescimento" na oferta de tratamentos - Em 2004, primeiro ano após o nascimento do Programa Nacional de Hepatites Virais, foram tratados 8.216 pacientes (40% com interferon convencional e 60% com interferon peguilado). Tal número de tratamentos é um dado oficial constante no procedimento do Ministério Público Federal confirmado, ainda, pelo Tribunal de Contas da União e aceito como verdadeiro pelo Ministério da Saúde nas diversas contestações realizadas durante o procedimento investigatório sobre o desvio do dinheiro para aquisição do interferon peguilado pelos estados.

2012 - Excluindo retratamentos e tratamentos de co-infectados, receberam tratamento aproximadamente 9.000 novos infectados fica dramaticamente lamentável comparar com os dados de 2004, quando 8.216 (não existia tratamento de co-infectados ou retratamento em 2004) tinham possibilidade de receber o tratamento. Passados 10 anos, um crescimento de somente 10% desde a criação do Programa Nacional de Hepatites Virais.

Medicamentos na lista de estratégicos - Promessa de incluir os medicamentos para hepatites na lista de medicamentos estratégicos feita pelo Departamento DST/AIDS/Hepatites em 2010, repetida em 2011 e reafirmada por Oficio do Dr. Dirceu em 2012, onde afirmava que até o final desse ano a promessa seria cumprida. NÃO FOI, pior ainda, os novos medicamentos agora devem ser requeridos pelo Horus, burocratizando ainda mais o procedimento, aumentando a dificuldade para conseguir o tratamento da hepatite C.

Inibidores de proteases - Portaria publicada em 2012, mas até o momento, finais de junho, a maioria dos estados não pode dar inicio aos tratamentos tamanha as absurdas exigências feitas no texto. O texto é um protocolo padrão FIFA, um sonho megalomaníaco feito somente para inglês ver. Secretários de Saúde pedem flexibilização e o Departamento DST/AIDS/Hepatites nem sequer responde.

Aqui estão apenas alguns exemplos do descaso com a hepatite C, uma epidemia que segundo diversas estimativas atinge 3 milhões de brasileiros.

Não mais é possível admitir que a Constituição Federal esteja sendo desrespeitada. Quando comparamos duas doenças que estão cuidadas pelo mesmo Departamento de DST/AIDS/Hepatites e vemos que na AIDS um de cada 3 infectados recebe tratamento e na hepatite C somente 1 de cada 280 infectados recebe tratamento, onde fica a igualdade, equidade, universalidade e respeito aos direitos humanos dos portadores de hepatite c?

Desde 1999, data da primeira promessa do Ministério da Saúde até 2013 já se passaram 14 anos e neste período as estimativas mais conservadoras calculam em mais de 140.000 as mortes por culpa da hepatite C.


Carlos Varaldo

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Hepatite C já mata mais que a AIDS

URGENTE - Hepatite C já mata mais que a AIDS

O governo dos Estados divulgou um alerta por meio do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) informando que as mortes causadas pela hepatite C já ultrapassam as causadas pela AIDS.

A taxa de mortes pela AIDS vem caindo, enquanto as mortes causadas pela hepatite C estão aumentando e, a partir de 2007 as mortes causadas pela hepatite C superam as causadas pela AIDS.

Em artigo publicado hoje, 21 de fevereiro, na “Annals of Internal Medicine” um estudo financiado pelo CDC, coordenado pela Dra. Kathleen Ly analisando atestados de óbitos nos Estados Unidos entre os anos de 1999 e 2007, foram confirmadas 12.734 mortes causada pela AIDS e 15.106 por causa da hepatite C no ano de 2007.

Alertam os autores que certamente os números representam apenas uma fração da morbidade e mortalidade na hepatite C, já que por falta de diagnostico da doença a maioria das pessoas não sabem que estão infectadas e no atestado de óbito a causa da morte é atribuída a complicações, não a aquilo que realmente a ocasionou.

Nas 15.106 mortes causadas pela hepatite C nos Estados Unidos, 73,4% aconteceram em pessoas com idade entre 45 e 64 anos.

Desculpem enviar está notícia em pleno feriado de carnaval, mas é necessário para que as autoridades de saúde pública atentem para o grave problema que é a hepatite C. Apesar de que a hepatite C é cuidada no Brasil pelo Departamento DST/AIDS/Hepatites é lamentável ver que a campanha de carnaval que está sendo amplamente divulgada neste momento somente fala na AIDS, ignorando que a hepatite C, a qual atinge sete vezes mais brasileiros que a epidemia de AIDS.

Até quando o ministério da saúde vai tentar esconder a hepatite C debaixo do tapete é um mistério. Até quando vai deixar morrer na ignorância os mais de três milhões de brasileiros infectados, dos quais mais de 90% não sabem que estão perdendo a vida e estão progredindo para a cirrose, o câncer e a morte é outra incógnita. É necessário que a população fique indignada antes que seja tarde demais para salvar essas vidas.

Carlos Varaldo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Primeiros dados na vida real utilizando o Telaprevir e o Boceprevir no retratamento da hepatite C

Primeiros dados na vida real utilizando o Telaprevir e o Boceprevir no retratamento da hepatite C

O estudo CUPIC está sendo patrocinado pelo governo francês com total isenção. A decisão de utilizar um dos inibidores é exclusivamente do médico, sem nenhuma indução ou tendência para utilizar especificamente determinado medicamento nas diretrizes de tratamento (protocolo) nos hospitais públicos. Resulta numa verdadeira experiência na vida real que mostrará realmente nessa fase 4 a resposta terapêutica, os efeitos colaterais e adversos e, a segurança de cada novo medicamento. Todos os países do mundo deveriam copiar a iniciativa, dando assim segurança a sua população.

É interessante analisar o que está acontecendo na França com o tratamento da hepatite C utilizando os inibidores de proteases Boceprevir e Telaprevir, pois a experiência que eles estão conseguindo será muito valida para médicos e pacientes. Entre 15 de fevereiro de 2011 e 1º de setembro, em 51 clínicas e hospitais do país, foram acompanhados pelo estudo CUPIC um total de 430 pacientes com cirrose, em retratamento do genótipo 1. Foram incluídos na analise dos dados 310 pacientes que no dia 1º de setembro tinham completado 16 semanas de tratamento.

Um total de 176 pacientes com cirrose e não respondedores a um tratamento anterior foi retratado com a combinação de Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina durante as primeiras 12 semanas e continuarão o tratamento até a semana 48 com interferon peguilado e ribavirina. Outro grupo de 134 pacientes com cirrose e não respondedores a um tratamento anterior receberam retratamento nas primeiras quatro semanas (lead-in) com interferon peguilado e ribavirina e, a partir da semana 5 foi introduzido o Boceprevir até completar 48 semanas de tratamento. A escolha do inibidor de proteases foi realizada pelo médico e os pacientes não foram randomizados, motivo pelo qual os dados servem como referencia, mas os dois grupos não podem ser comparados. Todos os pacientes eram cirróticos, com cirrose compensada (Child A).

Os dados resultantes na semana 16 do tratamento sugerem que a utilização do Boceprevir e do Telaprevir deverão ser “utilizados com cautela” e os médicos, pela segurança no controle dos efeitos adversos, “deverão realizar um monitoramento intensivo nos pacientes”. É importante lembrar que a conclusão do estudo será conhecer a resposta sustentada (cura da hepatite C) e conhecer a segurança e tolerabilidade dos inibidores de proteases, dados esses que somente estarão finalizados no segundo semestre de 2012.

Farei a seguir, para cada principal efeito colateral e adverso, a apresentação do que foi encontrado na semana 12 do tratamento, sem intenção de qualquer comparação.

1 – Características dos pacientes:

- O grupo tratado com Telaprevir era composto por 72% de homens e a idade média de todos os pacientes era de 57,4 anos.

- O grupo tratado com Boceprevir era composto por 71% de homens e a idade média de todos os pacientes era de 56,5 anos.

2 – Tempo de uso do inibidor de protease durante os atuais resultados:

- Os pacientes do grupo tratado com Telaprevir foram acompanhados em média durante 112 dias e receberam Telaprevir durante uma média de 85 dias.

- Os pacientes do grupo tratado com Boceprevir foram acompanhados em média durante 115 dias e receberam Boceprevir durante uma média de 84 dias.

3 – Bioquímica no inicio do tratamento:

- Neutrófilos de 3.100 mm/3, Hemoglobina de 14.5 g/dl e Plaquetas de 150.000 no grupo tratado com Telaprevir.

- Neutrófilos de 3.200 mm/3, Hemoglobina de 14.9 g/dl e Plaquetas de 140.000 no grupo tratado com Boceprevir.

4 – Genótipo presente:

- No grupo tratado com Telaprevir 56% apresentavam o genótipo 1-b e 43% o genótipo 1-a.

- No grupo tratado com Boceprevir 57% apresentavam o genótipo 1-b e 43% o genótipo 1-a.

5 – Carga viral antes do inicio do tratamento:

- A carga viral no grupo tratado com Telaprevir era em média de 5,9 log.

- A carga viral no grupo tratado com Boceprevir era em média de 6,1 log.

6 – Outros resultados antes do inicio do tratamento:

- O grupo tratado com Telaprevir apresentava um Tempo de Protombina de 88%, a bilirrubina total era de 15,5 e a albumina de 39,5 g/dl.

- O grupo tratado com Boceprevir apresentava um Tempo de Protombina de 85%, a bilirrubina total era de 14,6 e a albumina de 40,3 g/dl.

7 – Varizes:

- No grupo tratado com Telaprevir 19% dos pacientes apresentam varizes no esôfago.

- No grupo tratado com Boceprevir 28% dos pacientes apresentam varizes no esôfago.

8 – Resposta ao tratamento anterior com interferon peguilado e ribavirina:

- Respondedores parciais – 40% no grupo Telaprevir e 47% no grupo Boceprevir.

- Recidivantes – 43% no grupo Telaprevir e 29% no grupo Boceprevir.

- Respondedores nulos – 8% no grupo Telaprevir e 3% no grupo Boceprevir.

RESULTADOS PRELIMINARES SOBRE A SEGURANÇA DOS INIBIDORES DE PROTEASES ENCONTRADOS NO ESTUDO CUPIC

- Efeitos adversos sérios aconteceram em 51% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 29% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.

- Aconteceram 228 efeitos adversos sérios em 90 pacientes em tratamento com Telaprevir e no grupo em tratamento com Boceprevir aconteceram 86 efeitos adversos sérios em 39 pacientes.

- Interrupções do tratamento por causa de efeitos adversos graves de 12% no tratamento com Telaprevir e de 6% no tratamento com Boceprevir.

- Mortes de 1,7% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e de 1% no tratamento com Boceprevir.

- Rash grave (grau 3), acometeu 6,8% dos pacientes tratados com Telaprevir e 0 (Zero)% nos pacientes tratados com Boceprevir.

- Infecção (graus 3 e 4) acometeu 3,4% dos pacientes tratados com Telaprevir e 0% nos pacientes tratados com Boceprevir.

- Outros efeitos adversos (grau 3 e 4) foram relatados em 52% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 32% no tratamento com Boceprevir.

- Anemia em grau 2 (entre 8,0 e menos de 10,0 g/dl) acometeu 33% dos pacientes tratados com Telaprevir e 31% nos pacientes tratados com Boceprevir.

- Anemia grave, inferior a 8,0 g/dl acometeu 13% dos pacientes tratados com Telaprevir e 6% nos pacientes tratados com Boceprevir.

- A eritropoetina foi utilizada em 55% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 52% dos pacientes tratados com Boceprevir.

- Transfusão de sangue foi necessária em 18% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 6% dos pacientes tratados com Boceprevir.

- Neutropenia em grau 3 (neutrófilos entre 50 e menos de 1.000 por mm3) aconteceu em 11% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 7% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.

- Neutropenia grave em grau 4 (neutrófilos abaixo de 500 por mm3) aconteceu em 1% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 4% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.

- A utilização da filgastrina foi empregada em 3% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 5% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.

- A trombopenia em grau 3 (entre 25.000 e menos de 50.000 plaquetas) atingiu 15% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e 5% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.

- A trombopenia grave em grau 4 (menos de 25.000 plaquetas) atingiu 7% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e 5% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.

MEU COMENTÁRIO:

Os dados são preliminares, pois os pacientes ainda se encontram em tratamento, mas já são possíveis de indicar para médicos e pacientes naquilo que deverão estar preparados para enfrentar durante o tratamento com os inibidores de proteases, servindo como base para começar a estudar como controlar e diminuir os efeitos apresentados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:

REAL-LIFE SAFETY OF TELAPREVIR OR BOCEPREVIR IN COMBINATION WITH PEGINTERFERON ALFA/RIBAVIRIN, IN CIRRHOTIC NON RESPONDERS. FIRST RESULTS OF THE FRENCH EARLY ACCESS PROGRAM (ANRS CO20-CUPIC) - C Hézode1, C Dorival2, F Zoulim3, V de Ledinghen4, T Poynard5, P Mathurin6, D Larrey7, M Bourlière8, S Pol9, P Cacoub5, PH Bernard10, D Lucidarme11, Y Barthe2, H Fontaine9, F Carrat2, JP. Bronowicki12 pour le groupe CUPIC (ANRS CO 20) - HepDart - 04 to 08 december de 2011

Hôpital Henri Mondor, Créteil1, UMR-S 707, Paris2, INSERM U871, Lyon3, Hôpital Haut-Lévèque, Pessac4, Hôpital de la Pitié-Salpêtrière, Paris5, Hôpital Claude Huriez, Lille6, Hôpital Saint-Eloi, Montpellier7, Fondation Hôpital Saint Joseph, Marseille8, Hôpital Cochin, Paris9, Hôpital Saint André, Bordeaux10, Hôpital Saint Philibert, Lomme11, Hôpital de Brabois, Nancy12

Carlos Varaldo

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Existe futuro para os inibidores de proteases no tratamento da hepatite C?

Existe futuro para os inibidores de proteases no tratamento da hepatite C?

O tratamento do genótipo 1 da hepatite C passou a dispor de dois novos e revolucionários medicamentos, o Boceprevir e o Telaprevir, os quais chegam a duplicar a possibilidade de cura em pacientes nunca antes tratados podendo, em determinado grupo especifico de pacientes, aumentar em até 700% a possibilidade de cura para quem necessita de um retratamento.

Mas se os novos medicamentos chegam com boas notícias em relação à possibilidade de cura não podemos falar o mesmo sobre a forma de como devem ser utilizados e aos efeitos colaterais e adversos que podem acontecer, isso sem contar as limitações de sua utilização em pacientes que apresentam uma serie de outras doenças ou que fazem uso de determinados medicamentos.

Assim vemos que se por um lado revolucionam o tratamento e a possibilidade de cura, também, existe uma verdadeira e preocupante revolução na forma sobre como devem ser administrados, nos novos efeitos colaterais e adversos e na responsabilidade que o paciente passa a ter em relação à estrita aderência respeitando dosagens e horários.

Propositalmente dei a este artigo um titulo que corresponde a uma pergunta, pois será que existe futuro para os dois novos medicamentos ou eles terão vida curta? Sem duvida será uma revolução com muitos tiros e bombas, podendo acontecer que algum, ou os dois medicamentos sejam abatidos em poucos meses de vida, isto é, que as autoridades reguladoras os tirem do mercado. Vários são os fatores que poderão desencadear uma ação das autoridades resultando na retirada do mercado.

Acredito que a maioria dos médicos estará preparada e capacitada para a indicação dos medicamentos (consensos e protocolos em geral são rigorosos e o profissional de saúde deve se guiar por eles). Acredito, também, que receberam a correspondente atualização médica por parte das sociedades científicas e dos laboratórios.

Estou na torcida para que os novos medicamentos possam ser efetivos e úteis para a maioria dos infectados e que curem a maioria dos pacientes, mas existem duas situações que devemos prestar muita atenção, que muito me preocupam:

1 - O que acontecerá se os efeitos adversos e colaterais chegam a provocar uma elevada interrupção de tratamentos, resultando em percentuais de cura que não confirmem os alcançados nos ensaios clínicos realizados para conseguir a autorização de comercialização?

2 - Ou, nem pensar, se os efeitos adversos graves ocasionam algumas mortes?

São duas situações possíveis de acontecer, com muitas mais possibilidades do que possa imaginar qualquer departamento de marketing dos laboratórios.

É nesse ponto que mora o perigo. No “marketing”, que em alguns casos chega a criar expectativas e esperanças que colocam os novos medicamentos como milagrosos, como a salvação da pátria para pacientes e até para médicos.

De nada vai adiantar qualquer investimento em pesquisa, em divulgação, em capacitação médica continuada se no dia a dia do uso dos novos medicamentos começarem a aparecer problemas adversos difíceis ou impossíveis de manejar. Já dá para perceber que cada medicamento apresenta efeitos adversos muito diferentes e alguns deles os especialistas atuais em hepatites não possuem maior experiência. Efeitos tais que podem ir aparecendo devagar ou, que podem surgir de forma muito rápida e que os cuidados imediatos e certeiros devem ser aplicados em poucas horas.

Cabe em momentos assim que os departamentos médicos dos laboratórios e a própria diretoria dos fabricantes avaliem as ações de marketing e, devem pensar na melhor forma de capacitar profissionais da saúde, inclusive no nível de pessoal da enfermagem para saber reconhecer e diagnosticar os efeitos adversos.

Cabe ainda, com muita mais ênfase, educar e capacitar o paciente para que tenha total adesão às dosagens e horários dos medicamentos, a forma como eles devem ser ingeridos, a qual a refeição que deve acompanhar a ingestão dos inibidores de proteases e, a reconhecer qualquer aparecimento de algum sintoma adverso.

Não quero ser com este artigo um pássaro de mau augúrio, mas ao saber que nos Estados Unidos e na Europa aconteceram alguns (poucos) casos de morte de pacientes em tratamento, considero que por isso é necessário alertar. Em relação às causas das mortes ainda não podem ser todas elas atribuídas aos novos medicamentos. Estudos estão em andamento e brevemente saberemos os motivos.

Recebo e-mails de médicos e profissionais de saúde me felicitando pela divulgação constante de artigos sobre os inibidores de proteases e por ter criado uma seção dedicada a eles na nossa página, tentando explicar da melhor forma possível sobre como devem ser utilizados e sobre as limitações e problemas que ocasionam. Muito me orgulha tal reconhecimento, mas lembrem de que uma andorinha não faz verão. É necessário que todos, governo, sociedades médicas, fabricantes e associações de pacientes passem de forma imediata preparar e capacitar todos os que estarão envolvidos: médicos e pacientes. Mas vejo com preocupação que muito pouco está sendo feito.

Carlos Varaldo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os inibidores de proteases e a guerra de marketing dos fabricantes

Os inibidores de proteases e a guerra de marketing dos fabricantes


É evidente que o potencial de vendas e lucros a cada novo medicamento para hepatite C que aparece no mercado é formidável, não podendo ser diferente de acontecer com os inibidores de proteases Boceprevir e Telaprevir já que eles aumentam grandemente a possibilidade de cura para os infectados com o genótipo 1.

Por isso, pacientes, médicos e governos devem olhar com cuidado as informações que estão sendo utilizadas na guerra de marketing pelos fabricantes do Boceprevir e Telaprevir avaliando criteriosamente tudo o que está sendo colocado.

Em casos assim o Grupo Otimismo cumpre a função de alertar informando corretamente o que está acontecendo. Não somente alertamos quando o governo não atua corretamente, mas também devemos evitar excessos dos fabricantes, se bem ainda não estão acontecendo, mas para que sirva como um aviso saibam que se necessário for colocaremos a "boca no trombone". Somos um grupo de portadores atuando na defesa dos infectados e mais ninguém.

Ninguém coloca em duvida que estamos diante de dois medicamentos excelentes, a tal ponto que um fabricante não fala mal do concorrente. Seja em congressos médicos, seja em apresentações para sociedades científicas ou até na apresentação realizada consultório a consultório pelos representantes e visitadores o respeito em relação ao concorrente é total, atuando nesse sentido com total ética, seja pela MSD ou pela Vertex (Janssen em alguns países).

A diferença se encontra quando falam dos efeitos colaterais e adversos dos concorrentes, tentando explicar que o "outro" apresenta muitos mais efeitos, em especial os adversos, e que isso é muito ruim para os pacientes e de difícil manejo por parte dos profissionais da saúde.

Observei isso durante o congresso ASSLD 2011 e confirmo que virou rotina falar sobre os efeitos adversos, como se fosse uma vantagem competitiva alertar sobre o que o "outro" inibidor de proteases pode causar.

Quando estão se referindo ao Boceprevir (Victrelis) o alerta é sobre a anemia que ele pode causar ao potencializar o efeito da ribavirina. Ao se falar do Telaprevir (Incivek ou Incivo) o alerta é sobre o "rash" que provoca um problema que agrava a tradicional desidratação do organismo causada pelo interferon. (O "rash" é uma erupção cutânea).

Após isso começa uma ladainha de informações, segundo qual for a empresa que está falando em relação a seu medicamento, sobre a facilidade de tratar a anemia ou de tratar o "rash" e dos problemas graves que cada uma dessas condições podem causar.

De inicio pensei que isso era puro marketing barato, mas ao me aprofundar no assunto, não somente do lado da praticidade e experiência dos médicos em cuidar de um paciente anêmico ou de um com "rash" e, estudando inclusive projeções de consultorias do mercado de ações, vejo que realmente o pessoal de marketing acertou no foco com que deve se acertar o alvo para atingir o concorrente.

Pessoalmente estimo que o consumo de um ou outro inibidor de protease irá se estabilizar num período entre oito e doze meses. Ao inicio os médicos irão experimentar os dois e depois decidirão de forma individual por aquele que para ele for o mais pratico de acompanhar o paciente. No final de 2012 saberemos quem estará ganhando a guerra comercial, ou qual deles e o melhor desde o ponto de vista da praticidade para o atendimento dos pacientes por parte dos profissionais da saúde.

Carlos Varaldo

Causa indignação, a fala do Dr. Dirceu Greco, Diretor do Departamento DST/AIDS/Hepatites do Ministério da Saúde.

Causa indignação, a fala do Dr. Dirceu Greco, Diretor do Departamento DST/AIDS/Hepatites do Ministério da Saúde, ao declarar textualmente na matéria, o seguinte:

O diretor do Departamento também comentou a pressão para incorporação desses novos medicamentos via ações judiciais, considerando legítima a demanda dos pacientes, mas problematizando o uso dessa opção, que classificou como fruto de pressão dos laboratórios e como um desserviço de grupos da sociedade civil.

Incompreensível, é saber que o Departamento que Dr. Dirceu dirige, oferece convênios financeiros (com dinheiro da UNESCO, UNODC e UNAIDS) às ONGs (Organizações Não Governamentais) interessadas para estruturação de assessoria jurídica aos infectados. Contraditoriamente, o gestor não gosta e critica quando essas ONGs cumprem seu dever e alçam mão dos recursos legais (previstos na Lei) para conseguir medicamentos, aposentadoria ou quaisquer benefícios de direito do cidadão.

Perante tais manifestações parece que o importante é gastar o dinheiro da UNESCO, UNODC e UNAIDS, mas não é necessário fazer qualquer trabalho que beneficie diretamente ao cidadão.

As ONGs não poderiam ficar caladas ou omissas, seja informando os caminhos legais para conseguir o tratamento ou para se manifestar perante asa colocações efetuadas pelo Dr. Dirceu, pois se assim atuassem estariam, sim, prestando um desserviço. As ONGs que assinam este documento estão demonstrando publicamente que são as que realmente trabalham seriamente e honestamente na defesa dos infectados, sem interesse outro que não seja a defesa do paciente.

Perguntamos se: É um desserviço mostrar ao cidadão brasileiro os caminhos para cuidar da sua vida e para obter o tratamento que, constitucionalmente, tem por direito?

Perguntamos, ainda, se: Não constitui um desserviço maior, a existência de um departamento criado em 2002 e que passados nove anos só consegue tratar 11.000 pacientes/ano num contingente de infectados estimados em mais de três milhões?

Questionamos também se agravando a gravidade do problema: Não é vergonhoso que mais de 90% dos infectados ainda não foram diagnosticados e que por isso os casos com os quais nos deparamos estejam em estágios avançados e precisam recorrer à justiça para poder salvar essas vidas com os medicamentos mais eficazes?

Acusar as ONGs de trabalhar por pressão dos laboratórios é uma falácia!

O diretor do Departamento....De acordo com ele, o custo, associado ao tratamento oferecido atualmente (interferon peguilado + ribavirina) pode chegar a 25 mil reais por paciente/ano.

Questionamos também: qual a intenção ao informar um preço exagerado do tratamento atual de R$. 25.000,00 quando pelos custos do Ministério da Saúde a ampola de interferon peguilado está sendo paga na média de R$ 357,00 e a cápsula de ribavirina R$ 0,50, o que resulta num custo máximo em 48 semanas de tratamento de R$ 16.524,00.

Tais inverdades caracterizam um discurso pobre e insensível na tentativa de desprestigiar o movimento social. Pois, se existisse um único medicamento com eficácia e segurança em qualquer lugar do mundo, que tivesse sido pesquisado e descoberto por algum governo, certamente estaríamos lutando e apoiando para aumentar sua fabricação e distribuição.

Em contrapartida, não fossem pelas pesquisas dos laboratórios não existiriam alternativas além do chá de picão, simpatias e algumas orações.

Lutamos e defendemos o que pode curar doenças e salvar vidas nos importando com sua origem legítima, eficaz, segura e com comprovação científica. Acima de tudo, nos empenhamos voluntariamente em salvar vidas.

Não podemos entender as afirmações do Dr. Dirceu, em total dissonância com o que sempre é falado, publicamente, pelo ministro Alexandre Padilha ou pelo secretário Jarbas Barbosa (seus superiores). Ambos se posicionam, verdadeiramente, preocupados com a maior epidemia que assola o Brasil e são conscientes da importância do movimento social.

O posicionamento do Diretor do DST/AIDS/Hepatites demonstra que não está sendo seguida a intenção do Ministro Padilha.

Diante de tais fatos há que se refletir sobre: Quem poderia nesse caso estar prestando um desserviço ao portador de hepatite?

Poderia até serem funcionários do próprio departamento do MS (pagos com o dinheiro dos brasileiros) no momento em deixam de atender muitos pacientes. Sobretudo graves, com F2, F-3 ou F-4 e com indicação médica para tratamento. Pagar com a morte é muito caro ou não?

Estamos cientes da importância da fármaco economia, da nobreza da economia do dinheiro publico, nos resultados na boa aplicação dos recursos públicos, como também sabemos que: ninguém quer perder um parente, precocemente, afetado por uma doença grave que lhe atinge o fígado e que o governo muitas vezes se omite enquanto a constituição garante.

O movimento social como um todo defende os portadores, luta pela melhora da atenção à doença através do acesso de quem realmente precisa do medicamento específico em questão (e não de caixões de defunto). Muitos podem esperar, mas outros não podem.

Quem sempre deve avaliar e está qualificado para isso é o médico, somente ele.

Desclassificar o movimento social pela pseudo “pressão dos laboratórios a sociedade civil” (e não conseguir) é uma atitude, no mínimo simplista. A cooptação, quando existe é negativa em todos os aspectos pela parcialidade que pode proporcionar oriunda de qualquer lado, inclusive quando governamental, tanto a favor ou mesmo contra os pacientes.

Carlos Varaldo