terça-feira, 20 de agosto de 2013
Um assassino silencioso
Curiosidades que acontecem durante o tratamento da hepatite C
Um dos efeitos mais comuns durante o tratamento da hepatite C com interferon é a sensação de um estado febril permanente nos pacientes.
Pesquisadores encontraram que um aumento da temperatura do corpo entre 0,4º e 2º centigrados após a aplicação do interferon, atingindo seu pico máximo 12 horas após a aplicação é um sinal do efeito que o interferon está produzindo no organismo.
A pesquisa foi realizada com 60 infectados, incluindo todos os genotipos, tratados com interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) e ribavirina. A temperatura era medida três vezes ao dia nas primeiras 24 horas após a aplicação do interferon. Diversos exames de sangue eram realizados para controlar a cinética de resposta ao interferon e comparados os resultados com os poliformismos (IL28B), exames esses que não comentaremos devido a sua complexidade científica.
Concluem os pesquisadores que o aumento da temperatura após a aplicação do interferon está intimamente ligado com a resposta virológica.
MEU COMENTÁRIO
Não é de estranhar tal fenômeno já que se quando um vírus ocasiona uma gripe o organismo se defende aumentando a temperatura do corpo, também, já é conhecido que quando os indivíduos que nas primeiras semanas após a contaminação com a hepatite C apresentam sintomas, como cansaço, sensação gripal e olhos amarelos, são os que possuem maior possibilidade de eliminar o vírus espontaneamente, ficando curados, fato que acontece em aproximadamente 15% dos infectados.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Temperature Rise After Peginterferon Alfa-2a Injection in Patients with Chronic Hepatitis C is Associated with Virological Response and is Modulated by IL28B Genotype - Han H, Noureddin M, Witthaus M, Park YJ, Hoofnagle JH, Jake Liang T, Rotman Y. - J Hepatol. 2013 Jul 10. pii: S0168-8278(13)00451-0. doi: 10.1016/j.jhep.2013.07.004.
A cada dia estamos mais perto de tratamentos da hepatite C sem necessidade do interferon
Uma publicação no "The New England Journal of Medicine" mostra que o tratamento da hepatite C no futuro não utilizará interferon, mas ainda não estamos lá quando falamos no tratamento do genótipo 1. Apesar de resultados promissores que mostram maiores possibilidades de cura, as taxas de respostas no genótipo 1 ainda não são as desejadas.
Brevemente o tratamento do genótipo 2 sem interferon com excelente possibilidade de cura será realidade e, provavelmente também no tratamento do genótipo 3. No tratamento do genótipo 1 os tratamentos serão mais toleráveis, de menor duração, mas ainda deverão incluir o interferon para se obter uma maior eficácia.
O ensaio clínico "SOUND-C2" de fase 2b incluindo 362 infectados com o genótipo 1 da hepatite C utilizou em regime oral, sem utilização do interferon, o Faldaprevir (um inibidor da proteases do vírus) uma vez ao dia combinando com o Deleobuvir (BI 207127 - um inibidor da polimerase do vírus) duas ou três vezes ao dia, dividindo os pacientes em grupos que recebiam dosagens diferentes e ainda, alguns recebiam também, ou não, ribavirina.
O grupo de pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C que recebeu 16 semanas de tratamento obteve resposta sustentada de 59% na semana 12 após o final do tratamento, o que pode ser considerada a cura se o vírus não recidivar antes da semana 24. O grupo de pacientes que recebeu 28 semanas de tratamento obteve 69% de indetectáveis na semana 12 após o tratamento.
A ribavirina foi necessária, pois o grupo que realizou o mesmo tratamento sem ribavirina obteve somente 39% de possibilidades de cura.
Os infectados com o genótipo 1 sub-tipo 1b obtiveram possibilidade de cura 100% maior que os infectados com o sub-tipo 1a.
Dependendo do grupo de tratamento foram observadas taxas de interrupção do tratamento variando entre 5% e 25%. Os efeitos adversos mais comuns foram erupção cutânea, foto sensibilidade, náusea, vomito e diarréia.
MEU COMENTÁRIO
Os resultados devem ser observados com cautela, pois todos os pacientes eram brancos e não teve um grupo controle tratando pacientes com interferon e ribavirina, assim, os resultados obtidos podem não se repetir na população em geral.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Faldaprevir and Deleobuvir for HCV Genotype 1 Infection - Stefan Zeuzem, M.D., Vincent Soriano, M.D., Ph.D., Tarik Asselah, M.D., Ph.D., Jean-Pierre Bronowicki, M.D., Ph.D., Ansgar W. Lohse, M.D., Beat M llhaupt, M.D., Marcus Schuchmann, M.D., Marc Bourli re, M.D., Maria Buti, M.D., Stuart K. Roberts, M.D., Ed J. Gane, M.D., Jerry O. Stern, M.D., Richard Vinisko, M.A., George Kukolj, Ph.D., John-Paul Gallivan, Ph.D., Wulf-Otto B cher, M.D., and Federico J. Mensa, M.D. - N Engl J Med 2013; 369:630-639
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
A transmissão sexual do vírus da hepatite C entre casais heterossexuais monogâmicos - Um novo estudo
O Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia em San Francisco, Estados Unidos realizou uma pesquisa com o intuito de determinar se a hepatite C pode ser considerada uma doença sexualmente transmissível.
Para tal selecionou 500 casais heterossexuais monogâmicos com relacionamento sexual de longo prazo nos quais comprovadamente somente um dos parceiros estava infectado com hepatite C. Não foram aceitos para inclusão casais em que algum se encontra infectado com HIV/AIDS, hepatite B, transplantados, ou utilizavam qualquer tipo de droga sendo todos informados de determinados comportamentos de risco que deveriam evitar durante a duração da pesquisa, como o de evitar compartilhar itens de cuidados pessoais cortantes ou perfurantes e não praticar sexo fora do matrimonio, pois atitudes desse tipo estariam comprometendo o resultado da pesquisa.
Todos foram testados pelo RNA/HCV assim como realizaram testes do genótipos e do subtipo do genótipo. Os 1.000 integrantes da pesquisa tinham idades variando entre 26 e 79 anos de idade e o tempo de relacionamento sexual era entre 2 e 52 anos de atividade.
No geral 4% dos parceiros estavam ambos infectados, representando 20 dos 500 casais, mas como somente 9 casais (1,8%) possuíam o mesmo genótipo e sub-tipo não poderia se atribuir a contaminação ter acontecido entre os parceiros discordantes, se descartando a transmissão sexual dos 11 com genótipos ddiferentes.
Por seqüenciamento e análise filogenética para determinar a relação das sequencias das estruturas do vírus entre casais genótipo-concordantes foi encontrado que somente 0,6% dos casais eram altamente relacionadas, de acordo com a transmissão do vírus dentro do casal.
Baseado nos 8.377 pessoas/ano de seguimentos da pesquisa, a taxa de incidência máxima de transmissão sexual da hepatite C foi de 0,07% ao ano, ou cerca da necessidade de 190.000 contatos sexuais para a possibilidade de transmissão sexual em casais heterossexuais monogâmicos.
Concluem os autores que os resultados fornecem informações sobre o risco quantificado necessário para poder aconselhar casais heterossexuais monogâmicos em que um dos parceiros está infectado com hepatite C. Além do baixíssimo risco estimado de transmissão sexual entre os parceiros sexuais, a falta de associação com praticas sexuais especificas no grupo em estudo fornece mensagens de aconselhamento inequívocas e reconfortantes.
MEU COMENTÁRIO
Mais um dos tantos estudos já publicados nas mais conceituadas revistas científicas e apresentados nos congressos internacionais que comprova a baixíssima possibilidade de transmissão da hepatite C na relação sexual. Com mínimos cuidados, entre casais heterossexuais monogâmicos a possibilidade de contagio é tão insignificante que não deve se recomendar mudanças na pratica sexual como, por exemplo, recomendar o uso da camisinha.
Óbvio que ela pode acontecer se existem condições especificas, como ferimentos nos órgãos sexuais dos dois parceiros, ou se a mulher infectada está no período da menstruação e o homem com ferimentos no pênis, se existem doenças sexuais, como HIV, hepatite B, gonorreia e outras que possam facilitar uma possível transmissão do vírus da hepatite C, quando em todos esses casos a proteção com o preservativo deve ser indicada e até obrigatória, assim também quando o ato é praticado com um profissional do sexo.
Mas não por isso pode a hepatite C ser considerada uma doença sexualmente transmissível, em especial pelos responsáveis da saúde e profissionais de medicina. Passar desinformação demonstra ignorância e desconhecimento científico daqueles que deveriam ser os mais capacitados no enfrentamento da epidemia.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Sexual transmission of hepatitis C virus among monogamous heterosexual couples: the HCV partners study - Terrault NA, Dodge JL, Murphy EL, Tavis JE, Kiss A, Levin TR, Gish RG, Busch MP, Reingold AL, Alter MJ - Hepatology. 2013 Mar;57(3):881-9. doi: 10.1002/hep.26164
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Hepatite C é sexualmente transmissível?
Hoje enviamos e-mail ao Departamento DST/AIDS/Hepatites para que que na página sobre hepatite C seja retirada do final do texto a TAG que diz ser a hepatite C uma doença sexualmente transmissível, uma DST.
Sempre que uma matéria jornalística colocava que a hepatite C é uma doença sexualmente transmissível e tentávamos uma retração, respondiam que assim se encontrava no site do ministério da saúde, em http://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-c e nada mais podíamos fazer para consertar o erro.
Observamos que muita coisa está mudando para melhor no Departamento DST/AIDS/Hepatites desde que assumiu a nova direção, pois em poucas horas recebemos resposta a nosso e-mail, a página foi imediatamente retirada do ar e, uma nova redação será colocada nos próximos dias.
Já era hora, pois reclamávamos disso há uns 5 anos e nunca fomos atendidos. Obrigado aos novos gestores do Departamento para contribuir a diminuir o estigma e discriminação dos infectados com hepatite C.
Boa notícia Nº 1: PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 11 de 2011
Altera a Lei nº 7.670, de 8 de setembro de 1988, e o art.186 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, para incluir os portadores das formas crônicas da hepatite B ou da hepatite C, passando esses a ter todos os direitos que hoje tem os infectados com HIV/AIDS.
Tendo sido aprovada no Senado federal, a matéria vai à Câmara dos Deputados em caráter terminativo, isto é, passa pelas comissões sem necessidade de ser votada no plenário. Se aprovada seguirá para sanção da presidente Dilma.
É importante você se inscrever para seguir a tramitação e assim escrever aos relatores de cada comissão quando receberem o projeto para apreciação. Os Deputados recebendo e-mails dos interessados aceleram o processo, não ficando esquecido em alguma gaveta.
Acesse http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=99051 e faça o cadastro no Site do Congresso. PARTICIPE!
terça-feira, 25 de junho de 2013
As hepatites nas Nações Unidas
Na última terça-feira a rádio das Nações Unidas -Rádio ONU- deu destaque a duas importantes ações que estão sendo desenvolvidas na hepatite C, epidemia que assola o mundo, já tendo infectado 170 milhões de pessoas.
Três ONGs brasileiras foram entrevistadas para contar as ações que a sociedade civil está realizando, dando destaque para o projeto "Bola começa com B e Campeonato começa com C" que está testando os operários que estão construindo os 12 estádios da Copa do Mundo 2014 e, também, ao lançamento do "World Hepatitis Fund" - Fundo Mundial da hepatite-.
Na testagem dos operários já foram feitos 17 mil testes com uma prevalência de 1,35%, 230 pessoas não sabiam que tinham a hepatite C. A detecção tardia é o que causa muitos óbitos, morrem mais pessoas por culpa da hepatite C que pela AIDS, no Brasil e no mundo.
Também foi anunciado por Humberto Silva o lançamento oficial do "Fundo Mundial da Hepatite", cerimônia que aconteceu a noite em New York com representantes do Brasil, Estados Unidos, Egito, Índia, Paquistão, Reino Unido, Ruanda e México. O fundo não objetiva ser mais uma ONG para se autodenominar líder ou representante das estimadas 2.000 ONGs que lutam pelas hepatites no mundo, pelo contrario, o "World Hepatitis Fund", com sede em New York, captará recursos para ajudar as ONGs e associações de pacientes na realização de campanhas de divulgação e de testagem. Os recursos captados e sua aplicação serão controlados pela maior empresa de auditoria do mundo, a Price Waterhouse Coopers.
Participaram da entrevistana Rádio ONU, Francisco Martucci, presidente da ONG "C Tem Que Saber C Tem Que Curar", Carlos Varaldo, presidente do "Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite" e Humberto Silva, presidente da "Associação Brasileira dos Portadores de Hepatites".
É longo o caminho, será uma batalha difícil lutando em muitos casos contra governos que estão escondendo a hepatite C a colocando debaixo do cobertor da AIDS. Não pode se admitir que por falta de diagnostico menos de 10% dos infectados saibam da sua condição de saúde. Deveria ser considerado crime esconder da população que se não diagnosticados, 1 de cada 4 infectados com hepatite C vai desenvolver cirrose, câncer de fígado e morrera com aproximadamente 57 anos de idade.
A exceção é Estados Unidos que consciente do custo social e econômico que a progressão da doença ocasiona está realizando uma ampla campanha com a qual pretende encontrar entre 600.000 e 8000.000 infectados. La maioria dos países está cometendo um genocídio com sua população ao não ter a coragem política de enfrentar a hepatite C.
A entrevista na Rádio ONU se encontra em http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2013/06/ongs-querem-maior-divulgacao-sobre-prevencao-e-cuidados-da-hepatite-c/
Os motivos de nosso manifesto de apoio ao ministro da saúde
No último dia 11, trinta e uma ONGs que lutam pelas hepatites realizaram um manifesto de apoio ao Ministro Alexandre Padilha pela decisão de exonerar o diretor do Departamento DST/AIDS/Hepatites. Recebemos criticas de ONGs de AIDS. Por isso, para que compreendam nossa indignação estamos explicando o porque não podemos defender o Departamento DST/AIDS/Hepatites, o qual deveria ter cuidado das hepatites com o mesmo ênfase que o faz com a AIDS, mas nesses quatro anos nada fez, como mostram os resultados.
Certamente, ao ler os itens abaixo listados (e não são todos) irão compreender o porque da irritação dos infectados com as hepatites. O descaso e as falsas promessas tem um limite. Esse limite chegou. É necessário dar um basta e o governo, de vez por toda dar inicio a uma estratégia própria para enfrentar uma epidemia que atinge até 3 milhões de brasileiros.
Leiam a seguir o porque as hepatites não são prioridades no Brasil
27/06/1999 - Cartazes de sala serão distribuídos a todos os consultórios odontológicos do Sistema Único de Saúde. Informa por Oficio o Dr. Cláudio Duarte da Fonseca Secretário de Políticas de Saúde / MS - Promessa não cumprida.
29/06/2000 - O diagnóstico da hepatite C pode ser realizado, em uma das 49.260 Unidades Ambulatoriais do SUS - Responde por e-mail o Dr. Cláudio Duarte da Fonseca Secretário de Políticas de Saúde / MS - Passados 13 anos até hoje isso não acontece.
27/11/2002 - O Ministério da Saúde lançou ontem campanha sobre a hepatite, doença grave, mas pouco conhecida pela população. "Com a informação, queremos melhorar tanto a prevenção quanto a rapidez no diagnóstico", afirma o coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controle das Hepatites Virais, Antônio Carlos Toledo. Em 10/12/2002 foi divulgado que uma forte chuva alagou o deposito e danificou todo o material da campanha. A campanha foi suspensa. Alagamento em Brasília?
Maio de 2003 - A primeira campanha é colocada nas ruas, com um cartaz divulgando as hepatites e informando (ou melhor, desinformando) que "todas as hepatites (A, B, C, D e E) apresentam sintomas iguais, como ficar amarelo ou urina escura" e continua afirmando que todas elas se transmitem, entre outras formas, pela boca, pelos alimentos ou pela água, colocando todas por igual quanto a suas formas de contaminação. Poucos dias depois, as ONGs alertam o Congresso Nacional e o Ministro da Saúde sendo o cartaz recolhido e incinerado. Foi um desastre total, um desrespeito a população.
12/11/2003 - A promessa da testagem nos CTAs foi feita pelo Dr. Jarbas Barbosa no encontro dos grupos, com inicio piloto em alguns CTAs em fevereiro de 2004 e total implementação até o mês de julho de 2004. Em 20/12/2004 - O Dr. Jarbas Barbosa em entrevista ao programa Espaço Aberto da GLOBO-NEWS declarou que todos os CTAs do Brasil já estavam testando a hepatite C. Somente em 2012 a promessa foi cumprida totalmente.
Maio de 2005 - Foi feita uma campanha na televisão educativa informando a realização dos testes nos CTAs, porém, praticamente nenhum deles tinha recebido os kits.
08/03/2006 - Em audiência o Ministro da Saúde garantiu que os medicamentos para tratamentos das hepatites, em especial o Interferon Peguilado seriam adquiridos de forma centralizada pelo Ministério da Saúde O ministro saiu e a promessa foi junto. Somente após a denuncia no desvio da aplicação dos recursos pelos estados é que a compra foi centralizada.
11/04/2006 - O PNHV apresenta na Câmara de Deputados o "PLANO TRI-ANUAL DO PROGRAMA NACIONAL DE HEPATITES VIRAIS - ANOS 2006 -2007-2008" onde se informa que pretendem tratar 26.000 casos de hepatite C por ano até 2008 e para tal na página 23 é apresentado um quadro com o aumento de tratamentos oferecidos, sendo: 13.000 tratamentos já no ano 2006, 19.500 tratamentos em 2007 e 26.000 tratamentos em 2008. A promessa nem sequer foi tentada e acabou em fracasso, em 2012 somente 12.000 tratamentos foram realizados no SUS. Projetando o mesmo crescimento até 2012, hoje deveriam estar sendo tratados 54.000 pacientes anualmente.
Setembro de 2009 - O Programa Nacional de Hepatites Virais é extinto e as hepatites são integradas no Departamento DST/AIDS sem ter tido nenhuma discussão com as ONGs ou as sociedades médicas.
24/11/2010 - "Moção de Alerta - Hepatites Virais" apresentada por consenso das ONGs presentes no "IX Encontro Nacional de ONG de Hepatites Virais" em repudio ao fim do Programa Nacional de Hepatites e ter colocado as hepatites aos cuidados da AIDS.
A VERDADE: Número de pessoas de todos os genótipos em tratamento para hepatite C (Dados oficiais fornecidos pelo DAF/Componente Especializado da Assistência Farmacêutica - MS)
| Ano | Número de pessoas em tratamento |
| 2009 | |
| 2010 | |
| 2011 |
Comparando com 2004 é possível ver o "extraordinário crescimento" na oferta de tratamentos - Em 2004, primeiro ano após o nascimento do Programa Nacional de Hepatites Virais, foram tratados 8.216 pacientes (40% com interferon convencional e 60% com interferon peguilado). Tal número de tratamentos é um dado oficial constante no procedimento do Ministério Público Federal confirmado, ainda, pelo Tribunal de Contas da União e aceito como verdadeiro pelo Ministério da Saúde nas diversas contestações realizadas durante o procedimento investigatório sobre o desvio do dinheiro para aquisição do interferon peguilado pelos estados.
2012 - Excluindo retratamentos e tratamentos de co-infectados, receberam tratamento aproximadamente 9.000 novos infectados fica dramaticamente lamentável comparar com os dados de 2004, quando 8.216 (não existia tratamento de co-infectados ou retratamento em 2004) tinham possibilidade de receber o tratamento. Passados 10 anos, um crescimento de somente 10% desde a criação do Programa Nacional de Hepatites Virais.
Medicamentos na lista de estratégicos - Promessa de incluir os medicamentos para hepatites na lista de medicamentos estratégicos feita pelo Departamento DST/AIDS/Hepatites em 2010, repetida em 2011 e reafirmada por Oficio do Dr. Dirceu em 2012, onde afirmava que até o final desse ano a promessa seria cumprida. NÃO FOI, pior ainda, os novos medicamentos agora devem ser requeridos pelo Horus, burocratizando ainda mais o procedimento, aumentando a dificuldade para conseguir o tratamento da hepatite C.
Inibidores de proteases - Portaria publicada em 2012, mas até o momento, finais de junho, a maioria dos estados não pode dar inicio aos tratamentos tamanha as absurdas exigências feitas no texto. O texto é um protocolo padrão FIFA, um sonho megalomaníaco feito somente para inglês ver. Secretários de Saúde pedem flexibilização e o Departamento DST/AIDS/Hepatites nem sequer responde.
Aqui estão apenas alguns exemplos do descaso com a hepatite C, uma epidemia que segundo diversas estimativas atinge 3 milhões de brasileiros.
Não mais é possível admitir que a Constituição Federal esteja sendo desrespeitada. Quando comparamos duas doenças que estão cuidadas pelo mesmo Departamento de DST/AIDS/Hepatites e vemos que na AIDS um de cada 3 infectados recebe tratamento e na hepatite C somente 1 de cada 280 infectados recebe tratamento, onde fica a igualdade, equidade, universalidade e respeito aos direitos humanos dos portadores de hepatite c?
Desde 1999, data da primeira promessa do Ministério da Saúde até 2013 já se passaram 14 anos e neste período as estimativas mais conservadoras calculam em mais de 140.000 as mortes por culpa da hepatite C.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Hepatite C já mata mais que a AIDS
URGENTE - Hepatite C já mata mais que a AIDS
O governo dos Estados divulgou um alerta por meio do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) informando que as mortes causadas pela hepatite C já ultrapassam as causadas pela AIDS.
A taxa de mortes pela AIDS vem caindo, enquanto as mortes causadas pela hepatite C estão aumentando e, a partir de 2007 as mortes causadas pela hepatite C superam as causadas pela AIDS.
Em artigo publicado hoje, 21 de fevereiro, na “Annals of Internal Medicine” um estudo financiado pelo CDC, coordenado pela Dra. Kathleen Ly analisando atestados de óbitos nos Estados Unidos entre os anos de 1999 e 2007, foram confirmadas 12.734 mortes causada pela AIDS e 15.106 por causa da hepatite C no ano de 2007.
Alertam os autores que certamente os números representam apenas uma fração da morbidade e mortalidade na hepatite C, já que por falta de diagnostico da doença a maioria das pessoas não sabem que estão infectadas e no atestado de óbito a causa da morte é atribuída a complicações, não a aquilo que realmente a ocasionou.
Nas 15.106 mortes causadas pela hepatite C nos Estados Unidos, 73,4% aconteceram em pessoas com idade entre 45 e 64 anos.
Desculpem enviar está notícia em pleno feriado de carnaval, mas é necessário para que as autoridades de saúde pública atentem para o grave problema que é a hepatite C. Apesar de que a hepatite C é cuidada no Brasil pelo Departamento DST/AIDS/Hepatites é lamentável ver que a campanha de carnaval que está sendo amplamente divulgada neste momento somente fala na AIDS, ignorando que a hepatite C, a qual atinge sete vezes mais brasileiros que a epidemia de AIDS.
Até quando o ministério da saúde vai tentar esconder a hepatite C debaixo do tapete é um mistério. Até quando vai deixar morrer na ignorância os mais de três milhões de brasileiros infectados, dos quais mais de 90% não sabem que estão perdendo a vida e estão progredindo para a cirrose, o câncer e a morte é outra incógnita. É necessário que a população fique indignada antes que seja tarde demais para salvar essas vidas.
Carlos Varaldo
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Primeiros dados na vida real utilizando o Telaprevir e o Boceprevir no retratamento da hepatite C
Primeiros dados na vida real utilizando o Telaprevir e o Boceprevir no retratamento da hepatite C
O estudo CUPIC está sendo patrocinado pelo governo francês com total isenção. A decisão de utilizar um dos inibidores é exclusivamente do médico, sem nenhuma indução ou tendência para utilizar especificamente determinado medicamento nas diretrizes de tratamento (protocolo) nos hospitais públicos. Resulta numa verdadeira experiência na vida real que mostrará realmente nessa fase 4 a resposta terapêutica, os efeitos colaterais e adversos e, a segurança de cada novo medicamento. Todos os países do mundo deveriam copiar a iniciativa, dando assim segurança a sua população.
É interessante analisar o que está acontecendo na França com o tratamento da hepatite C utilizando os inibidores de proteases Boceprevir e Telaprevir, pois a experiência que eles estão conseguindo será muito valida para médicos e pacientes. Entre 15 de fevereiro de 2011 e 1º de setembro, em 51 clínicas e hospitais do país, foram acompanhados pelo estudo CUPIC um total de 430 pacientes com cirrose, em retratamento do genótipo 1. Foram incluídos na analise dos dados 310 pacientes que no dia 1º de setembro tinham completado 16 semanas de tratamento.
Um total de 176 pacientes com cirrose e não respondedores a um tratamento anterior foi retratado com a combinação de Telaprevir, interferon peguilado e ribavirina durante as primeiras 12 semanas e continuarão o tratamento até a semana 48 com interferon peguilado e ribavirina. Outro grupo de 134 pacientes com cirrose e não respondedores a um tratamento anterior receberam retratamento nas primeiras quatro semanas (lead-in) com interferon peguilado e ribavirina e, a partir da semana 5 foi introduzido o Boceprevir até completar 48 semanas de tratamento. A escolha do inibidor de proteases foi realizada pelo médico e os pacientes não foram randomizados, motivo pelo qual os dados servem como referencia, mas os dois grupos não podem ser comparados. Todos os pacientes eram cirróticos, com cirrose compensada (Child A).
Os dados resultantes na semana 16 do tratamento sugerem que a utilização do Boceprevir e do Telaprevir deverão ser “utilizados com cautela” e os médicos, pela segurança no controle dos efeitos adversos, “deverão realizar um monitoramento intensivo nos pacientes”. É importante lembrar que a conclusão do estudo será conhecer a resposta sustentada (cura da hepatite C) e conhecer a segurança e tolerabilidade dos inibidores de proteases, dados esses que somente estarão finalizados no segundo semestre de 2012.
Farei a seguir, para cada principal efeito colateral e adverso, a apresentação do que foi encontrado na semana 12 do tratamento, sem intenção de qualquer comparação.
1 – Características dos pacientes:
- O grupo tratado com Telaprevir era composto por 72% de homens e a idade média de todos os pacientes era de 57,4 anos.
- O grupo tratado com Boceprevir era composto por 71% de homens e a idade média de todos os pacientes era de 56,5 anos.
2 – Tempo de uso do inibidor de protease durante os atuais resultados:
- Os pacientes do grupo tratado com Telaprevir foram acompanhados em média durante 112 dias e receberam Telaprevir durante uma média de 85 dias.
- Os pacientes do grupo tratado com Boceprevir foram acompanhados em média durante 115 dias e receberam Boceprevir durante uma média de 84 dias.
3 – Bioquímica no inicio do tratamento:
- Neutrófilos de 3.100 mm/3, Hemoglobina de 14.5 g/dl e Plaquetas de 150.000 no grupo tratado com Telaprevir.
- Neutrófilos de 3.200 mm/3, Hemoglobina de 14.9 g/dl e Plaquetas de 140.000 no grupo tratado com Boceprevir.
4 – Genótipo presente:
- No grupo tratado com Telaprevir 56% apresentavam o genótipo 1-b e 43% o genótipo 1-a.
- No grupo tratado com Boceprevir 57% apresentavam o genótipo 1-b e 43% o genótipo 1-a.
5 – Carga viral antes do inicio do tratamento:
- A carga viral no grupo tratado com Telaprevir era em média de 5,9 log.
- A carga viral no grupo tratado com Boceprevir era em média de 6,1 log.
6 – Outros resultados antes do inicio do tratamento:
- O grupo tratado com Telaprevir apresentava um Tempo de Protombina de 88%, a bilirrubina total era de 15,5 e a albumina de 39,5 g/dl.
- O grupo tratado com Boceprevir apresentava um Tempo de Protombina de 85%, a bilirrubina total era de 14,6 e a albumina de 40,3 g/dl.
7 – Varizes:
- No grupo tratado com Telaprevir 19% dos pacientes apresentam varizes no esôfago.
- No grupo tratado com Boceprevir 28% dos pacientes apresentam varizes no esôfago.
8 – Resposta ao tratamento anterior com interferon peguilado e ribavirina:
- Respondedores parciais – 40% no grupo Telaprevir e 47% no grupo Boceprevir.
- Recidivantes – 43% no grupo Telaprevir e 29% no grupo Boceprevir.
- Respondedores nulos – 8% no grupo Telaprevir e 3% no grupo Boceprevir.
RESULTADOS PRELIMINARES SOBRE A SEGURANÇA DOS INIBIDORES DE PROTEASES ENCONTRADOS NO ESTUDO CUPIC
- Efeitos adversos sérios aconteceram em 51% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 29% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.
- Aconteceram 228 efeitos adversos sérios em 90 pacientes em tratamento com Telaprevir e no grupo em tratamento com Boceprevir aconteceram 86 efeitos adversos sérios em 39 pacientes.
- Interrupções do tratamento por causa de efeitos adversos graves de 12% no tratamento com Telaprevir e de 6% no tratamento com Boceprevir.
- Mortes de 1,7% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e de 1% no tratamento com Boceprevir.
- Rash grave (grau 3), acometeu 6,8% dos pacientes tratados com Telaprevir e 0 (Zero)% nos pacientes tratados com Boceprevir.
- Infecção (graus 3 e 4) acometeu 3,4% dos pacientes tratados com Telaprevir e 0% nos pacientes tratados com Boceprevir.
- Outros efeitos adversos (grau 3 e 4) foram relatados em 52% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 32% no tratamento com Boceprevir.
- Anemia em grau 2 (entre 8,0 e menos de 10,0 g/dl) acometeu 33% dos pacientes tratados com Telaprevir e 31% nos pacientes tratados com Boceprevir.
- Anemia grave, inferior a 8,0 g/dl acometeu 13% dos pacientes tratados com Telaprevir e 6% nos pacientes tratados com Boceprevir.
- A eritropoetina foi utilizada em 55% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 52% dos pacientes tratados com Boceprevir.
- Transfusão de sangue foi necessária em 18% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 6% dos pacientes tratados com Boceprevir.
- Neutropenia em grau 3 (neutrófilos entre 50 e menos de 1.000 por mm3) aconteceu em 11% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 7% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.
- Neutropenia grave em grau 4 (neutrófilos abaixo de 500 por mm3) aconteceu em 1% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 4% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.
- A utilização da filgastrina foi empregada em 3% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e em 5% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.
- A trombopenia em grau 3 (entre 25.000 e menos de 50.000 plaquetas) atingiu 15% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e 5% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.
- A trombopenia grave em grau 4 (menos de 25.000 plaquetas) atingiu 7% dos pacientes em tratamento com Telaprevir e 5% dos pacientes em tratamento com Boceprevir.
MEU COMENTÁRIO:
Os dados são preliminares, pois os pacientes ainda se encontram em tratamento, mas já são possíveis de indicar para médicos e pacientes naquilo que deverão estar preparados para enfrentar durante o tratamento com os inibidores de proteases, servindo como base para começar a estudar como controlar e diminuir os efeitos apresentados.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
REAL-LIFE SAFETY OF TELAPREVIR OR BOCEPREVIR IN COMBINATION WITH PEGINTERFERON ALFA/RIBAVIRIN, IN CIRRHOTIC NON RESPONDERS. FIRST RESULTS OF THE FRENCH EARLY ACCESS PROGRAM (ANRS CO20-CUPIC) - C Hézode1, C Dorival2, F Zoulim3, V de Ledinghen4, T Poynard5, P Mathurin6, D Larrey7, M Bourlière8, S Pol9, P Cacoub5, PH Bernard10, D Lucidarme11, Y Barthe2, H Fontaine9, F Carrat2, JP. Bronowicki12 pour le groupe CUPIC (ANRS CO 20) - HepDart - 04 to 08 december de 2011
Hôpital Henri Mondor, Créteil1, UMR-S 707, Paris2, INSERM U871, Lyon3, Hôpital Haut-Lévèque, Pessac4, Hôpital de la Pitié-Salpêtrière, Paris5, Hôpital Claude Huriez, Lille6, Hôpital Saint-Eloi, Montpellier7, Fondation Hôpital Saint Joseph, Marseille8, Hôpital Cochin, Paris9, Hôpital Saint André, Bordeaux10, Hôpital Saint Philibert, Lomme11, Hôpital de Brabois, Nancy12
Carlos Varaldo
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Existe futuro para os inibidores de proteases no tratamento da hepatite C?
Existe futuro para os inibidores de proteases no tratamento da hepatite C?
O tratamento do genótipo 1 da hepatite C passou a dispor de dois novos e revolucionários medicamentos, o Boceprevir e o Telaprevir, os quais chegam a duplicar a possibilidade de cura em pacientes nunca antes tratados podendo, em determinado grupo especifico de pacientes, aumentar em até 700% a possibilidade de cura para quem necessita de um retratamento.
Mas se os novos medicamentos chegam com boas notícias em relação à possibilidade de cura não podemos falar o mesmo sobre a forma de como devem ser utilizados e aos efeitos colaterais e adversos que podem acontecer, isso sem contar as limitações de sua utilização em pacientes que apresentam uma serie de outras doenças ou que fazem uso de determinados medicamentos.
Assim vemos que se por um lado revolucionam o tratamento e a possibilidade de cura, também, existe uma verdadeira e preocupante revolução na forma sobre como devem ser administrados, nos novos efeitos colaterais e adversos e na responsabilidade que o paciente passa a ter em relação à estrita aderência respeitando dosagens e horários.
Propositalmente dei a este artigo um titulo que corresponde a uma pergunta, pois será que existe futuro para os dois novos medicamentos ou eles terão vida curta? Sem duvida será uma revolução com muitos tiros e bombas, podendo acontecer que algum, ou os dois medicamentos sejam abatidos em poucos meses de vida, isto é, que as autoridades reguladoras os tirem do mercado. Vários são os fatores que poderão desencadear uma ação das autoridades resultando na retirada do mercado.
Acredito que a maioria dos médicos estará preparada e capacitada para a indicação dos medicamentos (consensos e protocolos em geral são rigorosos e o profissional de saúde deve se guiar por eles). Acredito, também, que receberam a correspondente atualização médica por parte das sociedades científicas e dos laboratórios.
Estou na torcida para que os novos medicamentos possam ser efetivos e úteis para a maioria dos infectados e que curem a maioria dos pacientes, mas existem duas situações que devemos prestar muita atenção, que muito me preocupam:
1 - O que acontecerá se os efeitos adversos e colaterais chegam a provocar uma elevada interrupção de tratamentos, resultando em percentuais de cura que não confirmem os alcançados nos ensaios clínicos realizados para conseguir a autorização de comercialização?
2 - Ou, nem pensar, se os efeitos adversos graves ocasionam algumas mortes?
São duas situações possíveis de acontecer, com muitas mais possibilidades do que possa imaginar qualquer departamento de marketing dos laboratórios.
É nesse ponto que mora o perigo. No “marketing”, que em alguns casos chega a criar expectativas e esperanças que colocam os novos medicamentos como milagrosos, como a salvação da pátria para pacientes e até para médicos.
De nada vai adiantar qualquer investimento em pesquisa, em divulgação, em capacitação médica continuada se no dia a dia do uso dos novos medicamentos começarem a aparecer problemas adversos difíceis ou impossíveis de manejar. Já dá para perceber que cada medicamento apresenta efeitos adversos muito diferentes e alguns deles os especialistas atuais em hepatites não possuem maior experiência. Efeitos tais que podem ir aparecendo devagar ou, que podem surgir de forma muito rápida e que os cuidados imediatos e certeiros devem ser aplicados em poucas horas.
Cabe em momentos assim que os departamentos médicos dos laboratórios e a própria diretoria dos fabricantes avaliem as ações de marketing e, devem pensar na melhor forma de capacitar profissionais da saúde, inclusive no nível de pessoal da enfermagem para saber reconhecer e diagnosticar os efeitos adversos.
Cabe ainda, com muita mais ênfase, educar e capacitar o paciente para que tenha total adesão às dosagens e horários dos medicamentos, a forma como eles devem ser ingeridos, a qual a refeição que deve acompanhar a ingestão dos inibidores de proteases e, a reconhecer qualquer aparecimento de algum sintoma adverso.
Não quero ser com este artigo um pássaro de mau augúrio, mas ao saber que nos Estados Unidos e na Europa aconteceram alguns (poucos) casos de morte de pacientes em tratamento, considero que por isso é necessário alertar. Em relação às causas das mortes ainda não podem ser todas elas atribuídas aos novos medicamentos. Estudos estão em andamento e brevemente saberemos os motivos.
Recebo e-mails de médicos e profissionais de saúde me felicitando pela divulgação constante de artigos sobre os inibidores de proteases e por ter criado uma seção dedicada a eles na nossa página, tentando explicar da melhor forma possível sobre como devem ser utilizados e sobre as limitações e problemas que ocasionam. Muito me orgulha tal reconhecimento, mas lembrem de que uma andorinha não faz verão. É necessário que todos, governo, sociedades médicas, fabricantes e associações de pacientes passem de forma imediata preparar e capacitar todos os que estarão envolvidos: médicos e pacientes. Mas vejo com preocupação que muito pouco está sendo feito.
Carlos Varaldo